Coletivo
ASCOAMA Associação Comunitaria dos Assentados e Assentadas de Monte Alegre
Descrição
O Assentamento Monte Alegre está localizado na zona rural do município de Tamboril, no estado do Ceará, na região do Sertão de Crateús, fazendo divisa com o município de Monsenhor Tabosa. Criado em 1997, o assentamento abriga atualmente cerca de 180 habitantes e está inserido em um território marcado pela presença de diversas comunidades indígenas, quilombolas e outros assentamentos da Reforma Agrária, formando um importante mosaico de povos e comunidades tradicionais.A história do Assentamento Monte Alegre é um exemplo vivo de resistência, organização popular e transformação social no semiárido cearense. Sua origem está diretamente ligada à luta pela Reforma Agrária e ao enfrentamento ao latifúndio improdutivo, protagonizada por famílias agricultoras vinculadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A ocupação da terra representou a busca pelo direito de plantar, produzir, viver com dignidade e construir um território baseado na justiça social, na solidariedade e no bem comum.
Após a conquista da terra, as famílias assentadas passaram a construir coletivamente uma comunidade organizada, dando origem à Associação dos Assentados e Assentadas do Assentamento Monte Alegre (ASCOAMA), entidade que representa juridicamente o assentamento e articula ações sociais, culturais, produtivas e educativas. Desde o início, a juventude sempre teve papel ativo e protagonista na vida comunitária, participando de reuniões, celebrações religiosas, festas da colheita, eventos esportivos e culturais, fortalecendo os laços comunitários e a identidade camponesa.
A trajetória do Assentamento Monte Alegre se desenvolve a partir de três pilares fundamentais: a cultura e organização comunitária, o convívio com o semiárido e a educação do campo.
No campo da cultura, Monte Alegre se tornou referência em todo o Ceará. O assentamento realiza há mais de 25 anos o tradicional Festival da Reforma Agrária, que celebra a colheita, a música popular, a vida camponesa e a luta do povo do campo. Além disso, o território é berço de diversos coletivos culturais, como grupos de música, dança, teatro, encenações populares, bandas comunitárias e quadrilhas juninas, que atuam de forma contínua, promovendo oficinas, apresentações, festivais e processos formativos para crianças, jovens, adultos e idosos.
Nesse contexto, destaca-se o Grupo Junino Força Jovem, criado em 1998 por jovens do próprio assentamento. Ainda no seu primeiro ano de existência, o grupo realizou a primeira edição do Festival Junino das Áreas de Reforma Agrária da Região dos Inhamuns, com o objetivo de fortalecer o protagonismo juvenil, valorizar a cultura camponesa e promover a integração entre jovens de assentamentos da Reforma Agrária, comunidades quilombolas e indígenas da região de Crateús.
O festival se consolidou como um espaço de integração, não competitivo, pautado na troca de experiências, na valorização cultural e na articulação entre territórios. Em 2017, o evento chegou à sua 18ª edição, com a participação de mais de 70 grupos juninos de comunidades tradicionais e assentamentos. Atualmente, após mais de 20 anos de realização contínua, o festival é reconhecido como um dos maiores festivais juninos do interior da região dos Inhamuns/Crateús e possivelmente o maior festival junino de áreas de Reforma Agrária do Ceará. Pela sua dimensão, passou a ser realizado em dois dias, atendendo à grande demanda de grupos participantes.
O Grupo Junino Força Jovem é formado hoje por cerca de 40 jovens do Assentamento Monte Alegre, que além de organizarem o festival junino, participam ativamente de outras atividades comunitárias, como a Festa de São Francisco, festejos de Santo Anastácio, Semana Santa, encontros das Comunidades Eclesiais de Base, atividades do MST e pastorais religiosas. Desde sua criação, o grupo desenvolve enredos que abordam temas como a valorização da cultura popular, o fortalecimento da identidade da juventude camponesa, o resgate histórico das Comunidades Eclesiais de Base e das lutas populares, como Canudos, Caldeirão, Ligas Camponesas, Cangaço, Quilombo dos Palmares e a luta do MST, além de denúncias contra a exploração dos pobres, a negação de direitos, a degradação da natureza e a mercantilização das relações sociais.
No eixo do convívio com o semiárido, o assentamento se destaca pela adoção de tecnologias sociais sustentáveis, como o projeto Bioágua, que possibilita o reuso das águas domésticas para irrigação de quintais produtivos, hortas e fruteiras. Essa iniciativa transformou os quintais das famílias em espaços verdes e produtivos, garantindo segurança alimentar, geração de renda e sustentabilidade ambiental, mesmo em períodos de seca.
A Educação do Campo também é um marco da história de Monte Alegre. A comunidade sempre lutou por uma educação contextualizada, que não expulsasse os jovens para a cidade, mas que valorizasse o campo, a agricultura familiar, a história da Reforma Agrária e os saberes populares. A construção coletiva de currículos e práticas pedagógicas fortaleceu o sentimento de pertencimento e o orgulho das novas gerações por suas origens.
Atualmente, o Assentamento Monte Alegre é referência em organização social, produção de alimentos saudáveis, convivência com o semiárido e promoção da cultura popular nordestina. A ASCOAMA atua como articuladora dessas iniciativas, fortalecendo projetos culturais, sociais, educativos e produtivos, em diálogo com políticas públicas e com o apoio técnico de instituições como a Ematerce. Monte Alegre segue sendo um símbolo vivo da luta pela terra, da resistência ao latifúndio e da construção coletiva de um projeto popular de desenvolvimento para o sertão cearense.
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